Distorção Inerente
17.02.2018
07.04.2018

Esta exposição coletiva junta o trabalho de quatro artistas contemporâneos: Marcelo Cidade, Nicolás Robbio, Pablo Accinelli e Rui Calçada Bastos.

Trabalhando com e nas cidades por onde tem passado ou vivido (Macau, Xangai, Paris, Lisboa, Berlim, Los Angeles, Rio de Janeiro), Rui Calçada Bastos debruça-se sobre paisagens, objetos, formas e situações urbanas, que num primeiro olhar poderiam passar despercebidas. Através da fotografia, vídeo, escultura e desenho, explora os seus temas de forma poética, confrontando o espectador com uma perspetiva autorreferencial.

Nos últimos anos, o trabalho de Pablo Accinelli tem dissecado a relação funcional e poética entre os objetos e as ferramentas. Os temas que aborda através da sua prática artística contêm uma referência aos objetos mundanos que nos envolvem que é ao mesmo tempo precisa e subtil. A aplicação prática desta perspetiva resulta na redução dos elementos e objetos à sua base quantificável, levando a uma manipulação da forma como os presenciamos.

Com um trabalho que é frequentemente informal e subversivo, Marcelo Cidade questiona os paradigmas e ideais da arquitetura modernista. Apropriando-se de espaços urbanos, o artista cria novas linguagens e altera as nossas ideias préconcebidas sobre o espaço. Revelando relações e valores sociais edificados, o seu trabalho produz uma contracorrente, uma “estética de resistência” que explora conflitos sociais complexos, transportando símbolos e situações da rua para espaços dedicados à arte.

Candeeiros, areia, esferas, maçãs e balanças? Nicolás Robbio utiliza estes elementos frequentemente no seu trabalho, descrevendo-os como objetos de cultura geral. As formas que aparecem na sua obra partem precisamente desta premissa, não são mais nem menos do que coisas facilmente reconhecíveis. Tal como o significado linguístico contido dentro do conceito de ‘coisa’ é muitas vezes ignorado, a repercussão específica da coisa quotidiana está também muitas vezes escondida, disfarçada pela sua aplicação como um objeto com um uso prático.

A convergência das peças apresentadas nesta exposição cria uma narrativa que destaca a dimensão transgressiva que contêm. Cada uma, de uma forma ou outra, apresenta uma subversão das coisas que estamos habituados a ver, e de uma forma mais profunda, da forma como as percecionamos. Este poder de distorção é o que dá o nome a esta exposição e o que, em última análise, nos desafia a questionar os objetos quotidianos com que vivemos.

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