ARCO Madrid
21.02.2018
25.02.2018

Esta apresentação é um diálogo entre dois artistas: Marcelo Cidade e Rui Calçada Bastos.

A prática artística dos dois artistas tem pontos e linhas de comunicação fazem desta uma apresentação que enriquece, por um lado, e que unifica, por outro. Nas suas práticas e processos distintos, existem realidades comuns que se cruzam e adicionam valor à proposta e ao trabalho individual de ambos os autores. No âmbito da experiência urbana, que é comum aos dois trabalhos, centrada no que é público e no que é privado, coletivo e individual, a transitoriedade destes dos universos estará constantemente em diálogo. Os dois exploram o fluxo contínuo e oscilante entre a esfera social e a esfera pessoal.

Rui Calçada Bastos e Marcelo Cidade têm um enfoque e uma concentração particulares sobre as paisagens urbanas, objetos, formas e situações que talvez possam ser ignoradas commumente à primeira vista. Esta “contaminação” natural do trabalho dos dois artistas dará, consequente e naturalmente, origem a uma obra multifacetada e multidisciplinar. Eles exploram os seus temas de uma forma poética e política, confrontando o espectador com uma visão autorreferencial. Para além disso, através de uma prática subversiva e informal, os artistas questionam os ideais da arquitetura modernista e apropriam-se dos espaços urbanos, inventando, por meio de várias operações estéticas, novos idiomas e linguagens, construindo espaços aparentemente inesperados e surpreendentes.

Comparando as relações e os valores sociais establecidos, ambos produzem uma “estética de resistência”, criando obras que expressam conflitos sociais complexos e convocam sinais e situações da rua para lugares dedicados à arte. Neste caso concreto, não o espaço de uma galeria, mas o stand da feira, que será o “veículo difusor” para comunicar um pensamento e uma atitude.

As obras enfatizam um encontro entre arte e sociedade, sem deixar de privilegiar a expressão poética e a discussão da linguagem, também inspirada politicamente pelas noções de desafio e transgressão. Concentram-se num lugar para alcançar outro, colocando em movimento um processo de substituição do histórico-geográfico pelo poético.

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